ASCENSÃO DO SENHOR

ASCENSÃO DO SENHOR “Recebereis o poder do E. Santo para serdes minhas testemunhas” (At 1, 8) A liturgia nos presenteia hoje com um texto Evangélico que resume, de certa forma, todo o livro de Mateus e concentra nele toda a sua mensagem. De fato, o envio de Jesus na Galiléia, depois do tempo de aprendizado de 40 dias, é “teológico”: não se deixa tocar, fala com autoridade plena, confia uma missão sem limites de espaço e tempo e a Galiléia, (Cfr. 28,7-10) é, justamente, o lugar onde Jesus viveu a infância e a juventude, é o começo de sua vida pública e o lugar onde agora a Igreja é lançada no mundo. Ascensão não é reportagem nem um tipo de „decolagem‟ de Jesus, mas, é uma forma de mostrar que Jesus volta a viver com o Pai. E neste sentido devemos ler o símbolo da nuvem (At 1,9) já conhecida no AT: Cristo se esconde e, ao mesmo tempo, se manifesta e continua no meio de nós. Com a Ascensão termina a missão terrena de Cristo e inicia a missão evangelizadora da Igreja: a nossa missão! O texto: Mt 28, 16-20 Monte: (v.16): lembra os montes da Bíblia (Sinai, o monte de Elias, das bem-aventuranças, o monte das Oliveira, o monte Calvário...) = lugares de grandes experiências de Deus. De que monte se fala aqui? Não tem nome. Em Mateus é o quinto monte: (4,8; 5,1; 15, 29, 17,1). Mateus sempre quer comparar Jesus com Moisés e o monte deste texto é mais semelhante ao monte Nebo onde Moisés morreu e se despediu de sua missão. “Prostraram-se” (v. 17). Gesto litúrgico e de adoração. Reconhecem Jesus como Deus. “Duvidaram” (v. 17). Palavra usada só duas vezes no NT (ver Mt 14, 31). Os apóstolos se perguntam se era mesmo Jesus... Mesmo assim Jesus confia neles e os envia em missão. Só um “louco” como Jesus não é? “Jesus aproximou-se” (v.18). Jesus se aproxima deles, mas eles não o tocam... Jesus já está de partida. É um Cristo glorioso que está no fim de sua missão. “Todo autoridade me foi dada no céu e na terra...” (v. 18). No monte da tentação o diabo queria dar a Jesus todo o poder. Mas este só pertence a Jesus! E Ele estende seu domínio de forma universal além do espaço e do tempo (diferente o poder dado a Pedro (16,19) somente na terra) “Ide e fazei discípulos meus todos os povos...” (v19). Trata-se de vocação e envio coletivo para os onze. O novo discipulado agora incluirá a morte e a ressurreição de Jesus. E não somente envio para Israel, mas, para todas as nações e povos. Ainda hoje a Igreja está perseguindo este mandato. “Batizando-os em nome do Pai...” (v 19). É o Batismo que faz entrar o novo discípulo no mistério pascal. A fórmula é trinitária e faz entender um costume já incorporado na comunidade, pois, no início da evangelização o Batismo era só no nome de Jesus. As três pessoas divinas estão no mesmo plano. Doutrina que se cristalizou aos poucos. Então temos a seqüência: a) tornar discípulos; b) batismo, c) ensinar a observar tudo. “Eu estou convosco” (v. 20). Ele permanece em comunhão com seus discípulos e com toda a Igreja. “Todos os dias” (v.20): quarta vez que se usa o adjetivo todos neste texto. Talvez queira dizer a totalidade dos elementos: os quatro pontos cardeais. Cristo age na totalidade. Até o fim do mundo= é o tempo da Igreja! Ler a vida com a Palavra “O Pai vos dê um espírito de sabedoria..” (Ef 1, 17) Paulo convida, pela sabedoria do Pai a “abrir o nosso coração” para conhecer a esperança a que fomos chamados (as) (v.18), ou seja, a vida eterna. Faz-nos meditar, outrossim, que Cristo ressuscitado é a cabeça da Igreja seu corpo (v.22) e ao mesmo tempo, que a Igreja é a plenitude (pleroma) de Jesus que, por sua vez, possui a plenitude universal de tudo (v. 23), Um pouco come se Paulo já na cadeia ( em Roma?) nos mostrasse uma teologia da Ascensão. A Ascensão é como o trailer do nosso futuro, mas, também é como o filme que temos que viver por inteiro como protagonistas para alcançar este final feliz... Maturidade cristã e olho ao futuro nos ajudam a viver Igreja, este tempo entre a Ascensão e a Parusia. “Porque ficais aqui parados, olhando para o céu?” (At 1,11)
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Onde está o Céu? Estou no meio do barulho interior, no meio dos pecados, das minhas fragilidades, no meio do mundo que olha somente para a terra e seus valores e profetas... onde está o Céu? Céu não é um lugar do espaço, mas, onde mora Deus! Dizemos: “Pai nosso que está no céu...” “Aquele morreu e foi para o céu!”... Céu é Deus mesmo, luz inacessível, é um estado de vida não lugar. Céu é estar com Cristo. Objeção: mas, nunca ninguém voltou para nos confirmar... Resposta: negativo: todo dia alguém volta e é Jesus Eucaristia: Ele tinha dito: “Eu estarei convosco sempre”! Certeza total: palavra de quem não falha e cumpre. Ele está em mim em ti em nós! Ascensão é festa da esperança! O catequista Lucas nos diz que olhar para o céu é necessário, pois, não podemos esquecer que é lá que temos que chegar e é a meta, lá está o término de nossa esperança, símbolo também da vinda final de Cristo, mas, ao mesmo tempo nos alerta que é necessário olhar para a terra o mundo ao teu redor. Então: olhos para céu e pés fincados na terra! Nada de passividade: somos missionários (as) construtores de libertação! Seguir em frente: orara e trabalhar! Sobretudo neste tempo de incertezas políticas e sociais! “Ide e fazei discípulos meus” (Mt 28,19) Não é um convite: é uma ordem! Aliás, duas ordens: a primeira é sair, andar pelo mundo, missão mesmo aberta aos povos, continentes e a segunda é anunciar os Reino, mostrar a beleza de ser discípulos de Cristo também hoje. Como sonha Francisco: uma Igreja em saída aberta a todos: fieis e pagãos. “Naquele «ide» de Jesus, estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova «saída» missionária. Cada cristão e cada comunidade há- de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho.1” Uma Igreja feita de discípulo missionários que “Primeireiam, tomam a iniciativa”2 “Eis que eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28.20) Jesus nos convida a sermos testemunhas: convida-nos a caminhar, a mudar a desestabilizar a tirar o sossego, a não se contentar! Agora é tempo de adultos na fé ser cristãos de fronteira! O Evangelho é como uma história de amor não concluída: nós temos que continuá-la! Várias vezes se fala do ES neste domingo nas leituras e estamos na novena do ES e é Ele que nos conduz, nos guia, nos consola nos defende nesta caminhada de missionários (as). Jesus convida a fazer discípulos e somente depois batizar = primeiro vem catequese e o discipulado depois o sacramento, não contrário! Na primeira leitura se fala de nuvens, anjos etc. = teofania e nova epifania: Cristo para o mundo todo. Coragem: Ele está conosco! “Até o fim” = plenamente, completamente, totalmente... “do mundo” = mundo como humanidade, mas, mundo como minha humanidade pessoal, minha história, minha vida. Ele não nos abandona e não me abandona! Viver e orar
 Hoje inicia no Brasil a Semana de Unidade dos Cristãos com o tema „Reconciliação‟ e hoje também se celebra o dia mundial das Comunicações Sociais (olhe que é a única celebração mundial estabelecida pelo Vaticanos II) e tem como tema: “Não tenhas medo, que Eu estou contigo”(Is 43,5). Então vamos celebrar com alegria e garra e orar para estas intenções!
 A Ascensão nos faz contemplar a esperança do futuro inimaginável que nos espera: “Ele 'subiu' aos céus para dar-nos a certeza de que nos conduzirá à glória da imortalidade” (Prefácio da missa)
 Esta semana unem-se aos povos todos e bata palmas aclame a Deus com alegria (Salmo responsorial 46) com a vida e com a as palavras!
Padre Mário Guinzoni OSJ
m.armeno@gmail.com
1 Papa Francisco, Evangelii Gaudium, nº 20
2 Ibidem,nº 24

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