Sintese Biográfica de Padre José Calvi - Parte II
A partir de janeiro de 1936 voltará novamente ao Sanatório da Lapa e este local se constituirá o campo mais fértil de seu apostolado, pois ali com a sua presença as práticas religiosas reflorescerão. Seu apostolado neste Sanatório, mais do que no exercício de capelão, será um apostolado do exemplo, onde deixará transparecer, sobretudo o amor a Deus, o zelo pela salvação das almas, a humildade, a simplicidade e a sua inalterável paciência. Será ele que com seu apostolado quem dará para os doentes a mais viva fé e ardente piedade à eucaristia. Todos os doentes nutrirão por ele uma grande admiração e o terão como um santo. Durante o tempo em que viveu no Sanatório suscitou inúmeras conversões de espíritas, descrentes, protestantes e até ateus. Muito embora a presença de Pe. Calvi no Sanatório fosse para debelar a tuberculose, a preocupação mais latente em seu coração era aquela de servir ao Senhor na pessoa dos que com ele ali viviam a mesma situação e o mesmo desafio da doença. Neste Sanatório paranaense o Pe. Calvi viverá complexivamente quase 9 anos, sendo doente entre os doentes, sendo um apóstolo, um pai, um irmão, um amigo de cada doente.
Exerceu o seu ministério sacerdotal sendo um exemplar e zeloso missionário por todos os lugares em que passou. A respeito de seu trabalho apostólico, ele mesmo dizia que o sacerdote é um pai para todos e, por isso, deve receber como o mesmo amor seja os grandes que os pequenos, sejam os ricos que os pobres, os idosos que os jovens e as crianças. Afirmava que um sacerdote deve reunir em si virtudes incompatíveis, ou seja, o sentimento de sua dignidade e uma profunda humildade, um zelo ardente com grande prudência, uma doçura paciente e longânime a uma firmeza que não recua.
Demonstrou um profundo amor à sua vocação religiosa, sempre obediente aos superiores e vivendo um verdadeiro espírito de pobreza e de desprendimento e, mesmo quando se encontrava muito debilitado por causa de sua doença, preferia compartilhar, ou melhor, doar as frutas, alimentos e outros presentes que recebia aos doentes, não mantendo nada consigo porque sentia a satisfação em doar aos outros.
Diante de sua doença, sempre a aceitou com resignação afirmando que Deus lhe tinha permitido esse seu sofrimento para o seu bem e por isso oferecia as suas dores e sua vida em verdadeiro espírito de penitência. Tinha dentro de si o ardor para o trabalho missionário, contudo se resignava diante de sua precária saúde, a aceitar pacientemente a vontade de Deus.
O Pe. José Calvi foi um apóstolo entre os tuberculosos, pois seu zelo pelas almas, testemunhará a irmã Maria Pedra, que trabalhava no Sanatório nos anos em que ele ali esteve internado, era tão grande que a despeito de seu estado de fraqueza, não deixava de assistir aos doentes em agonia, ainda que fosse nas horas mais avançadas da noite. Tomado pela doença e debilitado ao extremo, não deixava de ir à capela todos os dias e isto o fará até o último dia de sua vida, para receber a comunhão, até que no dia 26 de setembro de 1943 veio a falecer serenamente.
Ainda hoje, depois de décadas de sua morte, o seu túmulo no cemitério da Água Verde em Curitiba é objeto de visita por parte de inúmeras pessoas que, ouvindo falar de sua fama de santidade, acorrem frequentemente lá para rezar, acender velas e pedir-lhe graças. No Brasil encontram-se pessoas que o conheceram pessoalmente ou que trabalharam com ele no Sanatório e dele dão testemunhos emocionantes sobre sua vida e santidade. O ex-superior geral dos Oblatos de São José, Pe. Pedro Magnone que por muitas vezes visitou o Brasil no final da década de 70, testemunha que ouvirá não apenas dos confrades de Pe. Calvi mas também do povo, a declaração de que ele era realmente um santo e que, por ao menos duas vezes, viajando de trem pelo Paraná, aconteceu encontrar pessoas que tendo conhecido o Pe. Calvi recordava-lhe como um santo. Da mesma forma um outro ex-superior geral dos Oblatos de São José, Pe. Luigi Garberoglio, o qual também foi por muitos anos o diretor espiritual de Pe. Calvi declara-o, a exemplo de inumeráveis testemunhas, que era convicto de que ele tinha levado consigo para o túmulo a inocência batismal e de que esta convicção ele a tinha justamente porque o conheceu intimamente. A sua fama de santidade sempre foi reconhecida na Itália, não apenas pelos seus confrades que com ele puderam conviver, mas também por muitas pessoas de Cortemilia, cidade onde nasceu, e até hoje se encontram pessoas que testemunham com entusiasmo a sua fascinante e santa pessoa. São inúmeras as testemunhas de graças alcançadas de Deus por intermédio de Pe. Calvi; graças das mais variadas e de diversas proveniências, seja da Itália que do Brasil. Ele deixou a terra para ir ao céu, declara Pe. Garberoglio, e esperamos que como foi para nós aqui na terra um exemplo, assim ele seja lá no céu o nosso intercessor junto de Deus do qual conservou-se sempre afeiçoado.