São José trabalhador

1- São muitas as atribuições que a josefologia dá a São José, e dentre as quais, algumas são colhidas dos próprios evangelhos, os quais deram-lhe os títulos de: Pai de Jesus, Esposo de Maria, Descendente de Davi, Homem justo, Carpinteiro. Além dessas, outras nós as colhemos da tradição da Igreja, fruto da reflexão e do amor dos seus devotos, e dentre estas temos: Educador de Jesus, Homem casto, Servo obediente, Humilde, Silencioso, etc. Todas essas são muito importantes para indicar concretamente o perfil do nosso Santo, mas uma bastante conhecida entre nós é aquela de Trabalhador. Este aspecto na vida de São José é fundamental, pois indica que o trabalho não é castigo de Deus, mas que é dado para a realização do ser humano. Com o trabalho, nós somos colaboradores de Deus na obra da criação.

2- São José foi o colaborador de Deus na ordem da criação, não apenas com o exercício de seu trabalho, mas de maneira grandiosa, como colaborador dela na obra da nossa redenção. O trabalho fez parte integrante de sua vida, pois com ele manteve a sua dignidade de homem, com ele sustentou a sua família, com ele, mediante o suor derramado, os calos  nas mãos, o manejo das ferramentas, ele educou o Filho de Deus.

3- O trabalho fez parte essencial da vida de Jesus. Sendo ele semelhante a nós em tudo, dedicou a maior parte dos anos de sua vida sobre a terra, até aos 30 anos, ao trabalho manual, junto a um banco de carpinteiro em companhia de seu Pai São José. Jesus, ao assumir a realidade humana, tornando-se homem, com a sua encarnação,  santificou toda ela, e portanto também o trabalho.

4- O plano da encarnação se encontra, nesse ponto, com São José, o qual foi escolhido por Deus para ser o próprio apresentador de seu Filho ao mundo. São José, por causa do seu matrimônio com Maria, do qual nasceu Jesus, e da sua própria descendência davidica,  transmitiu a Jesus o título de filho de Davi. Mas além desse título que ele transmitiu, e que foi indispensável para o reconhecimento do Filho de Deus como Messias, ele transmitiu a Jesus também aquela dimensão humana, que o caracterizou como um homem. De fato, ele recebeu a qualificação de “Filho do carpinteiro“.

5- Por causa dessa característica, Jesus não se envergonhou de ser um trabalhador, por isso, ele trabalhou com suas mãos de homem se identificando diretamente com o trabalho humano. Deus poderia ter escolhido, para ser o pai de seu Filho aqui na terra, um nobre da família sacerdotal daquele tempo, afinal, a linhagem sacerdotal indicava uma relação direta com o Templo de Jerusalém. Poderia ter escolhido um escriba ou doutor da lei, pessoa versada nos textos sagrados. Poderia, enfim, ter escolhido, um saduceu, pessoa ligada as questões religiosas. Mas nada disso ele fez, porque São José melhor exprimia a função de um simples pai; um trabalhador, que com a sua singularidade de simples carpinteiro, manifestava a realidade do trabalho na vida de todas as pessoas. Foi graças ao banco da carpintaria, no qual São José exerceu a sua profissão, juntamente com Jesus, que ele aproximou o trabalho humano ao mistério da nossa redenção.

6- Ninguém, depois de Maria, esteve tão próximo das mãos, da mente, da vontade e do coração de Jesus, como São José. Por isso Papa Pio XII, propondo-o como exemplo para os trabalhadores, afirmou que ele é o Santo que na vida mais penetrou o espírito do evangelho. Nenhum trabalhador foi tão perfeitamente e tão profundamente penetrado da presença de Deus na sua vida do que São José, o qual viveu na mais íntima comunhão de família e de trabalho com o próprio Filho de Deus. Por isso, o mesmo Papa aconselha aos trabalhadores, que se quisessem estar mais próximos de Cristo, deviam ir a José.

7- O trabalho dignifica o homem, como sempre nos disse a Palavra de Deus e como sempre diz a Igreja. Ser trabalhador é cooperar na criação, é continuar a criação de Deus. Com o nosso trabalho exercemos toda a nossa liberdade de filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança; com o trabalho devemos  transformar o mundo, portanto, valor do trabalho não está simplesmente nele mesmo, não está no simples fazer ou produzir. Na verdade, pode-se dizer que o trabalho é um “termômetro do homem”. Ele o qualifica como alguém que constrói a liberdade e a paz  e torna-se participante na obra do Criador.

8- O Papa Leão XIII  com a Encíclica Quamquam Pluries (1889) exprimindo um sentimento paterno pelos trabalhadores, preocupava-se com a situação deles, e por isso colocava em realce a dignidade do trabalho dando o exemplo de São José e assim se exprimia: “Os operários… devem recorrer a São José e dele tomarem a sua imitação. Ele, se bem que da estirpe real, unido em matrimônio com a mais santa e excelsa entre as mulheres, e pai putativo do Filho de Deus, passou a sua vida no trabalho… O trabalho operário, longe de ser desonra…”, ele dignifica. Da mesma forma, na Encíclica Rerum Novarum (1891), também de Leão XIII, se afirma que Jesus “Embora sendo Filho de Deus e Deus ele próprio, quis ser visto e considerado Filho do carpinteiro, e não negou de transcorrer uma grande parte da sua vida no trabalho manual”.

9- A Exortação Apostólica Redemptoris Custos (nº 22) do Papa João Paulo II, evidenciou claramente a missão de São José quando afirma que “Graças ao seu banco de trabalho, junto do qual exercitava o próprio ofício juntamente com Jesus, José aproximou o trabalho humano ao mistério da redenção”. Por isso, Cristo quis assumir a sua qualificação humana e social de José, o carpinteiro de Nazaré.

11- Escolhendo de ser considerado Filho de José (Lc 3,23), Jesus herdou, como afirmamos, o título de Filho de Davi, mas contemporaneamente assumiu também o título de “Filho do Carpinteiro” (Mt 13,55), e na carpintaria de Nazaré trabalhou com mãos de homem (GS 22), santificando o trabalho.

12- Nós, os devotos de São José, devemos nos sentir felizes por tê-lo como o modelo para cada um de nós, pois o trabalho, qualquer que seja ele, professor, médico, doméstica, dona de casa, gari, lavrador, motorista, pedreiro, artista… é a maneira com que nos realizamos, é a nossa maneira de contribuir para bem desse mundo, como o fez com tanto empenho o nosso santo protetor.

13- Rezemos, particularmente nesta novena, por todos os trabalhadores, por todos os que buscam um trabalho para o próprio sustento e da sua família.  Rezemos para que haja justiça para os trabalhadores, para que os patrões tenham a consciência da retribuição justa aos seus empregados e para que tenham meios suficientes, leis favoráveis para proporcionarem um ambiente de trabalho realizador para todos os trabalhadores. Que São José, proteja bondosamente todos os trabalhadores.

 

Pe. José Antonio Bertolin