Muitas vezes vista como algo negativo, em Deus, a masculinidade ganha plenitude e pode ser um caminho de salvação.
Nos últimos tempos, a masculinidade tem sido tema de muitas polêmicas, fora e até dentro da Igreja. Com as mudanças culturais, surgiu também uma certa crise de identidade. De repente, os homens, que receberam a missão de prover e proteger suas famílias, se viram perdidos em relação a como fazer isso. E, com tantas informações e referências diferentes, aparece a dúvida: como ser um homem de Deus hoje em dia?
Antes de tudo, precisamos esclarecer que, criados e desejados por Deus, homem e mulher são iguais em dignidade e chamados à verdadeira felicidade. Porém, existem, sim, diferenças entre os sexos. E é justamente por isso que se complementam e se auxiliam na caminhada em busca da santidade.
Infelizmente hoje, virtudes intimamente ligadas à masculinidade, como a força e a coragem, acabam, por vezes, sendo vistas como pontos negativos e quase como “meios de opressão”. Como resultado, observamos muitos homens cristãos que estão mornos e até acovardados, sem saber ao certo como viver o papel ao qual são chamados.
Contudo, sabemos que há homens que distorcem essas virtudes e as utilizam como pretextos para discriminar ou agredir as mulheres. Mas, essa não é a autêntica masculinidade, que só pode ser vivida em Deus.
A missão do homem de Deus no mundo
No mundo, o homem católico tem a missão de ser paciente, firme, justo, forte, casto e trabalhador. Seja como leigo ou na vida consagrada, deve ter sempre em mente que é chamado a agir como o próprio Cristo, doando diariamente a vida pelos seus.
Para isso, o caminho é de penitência e oração, já que, somente a partir da relação com Deus, é possível ser firme no propósito de seguir a Vontade Divina, a todo custo. O sacerdote espanhol, São Josemaria Escrivá, comentava sobre essa determinação no cotidiano.
Vontade. É uma característica muito importante. Não desprezes as pequenas coisas, porque, através do contínuo exercício de negar e te negares a ti próprio nessas coisas – que nunca são futilidades nem ninharias -, fortalecerás, virilizarás, com a graça de Deus, a tua vontade, para seres, em primeiro lugar, inteiro senhor de ti mesmo (Caminho, 19).
Especialmente neste ano de São José, instituído pelo Papa Francisco, também vale olhar para o Patrono da Igreja como um exemplo a ser seguido. Um homem trabalhador e viril, que não poupava esforços para proteger a Sagrada Família. Soube defender, mas também servir; ser forte, mas amoroso; ser prudente, mas corajoso.
Além disso, teve sua masculinidade forjada na convivência com a feminilidade da Virgem Maria. À ela, os homens também devem recorrer, pedindo que interceda por eles e lhes molde a virilidade.
Sem a masculinidade iluminada pelo Evangelho, homens casados deixam suas famílias “na mão”, porque não assumem a missão que lhe foi dada no altar. Entre os que têm vida consagrada ou religiosa, essa falta de virilidade tem consequências para os que lhes foram confiados espiritualmente e de quem Deus espera que cuidem.
Para evitar isso, a doutrina da Igreja aponta os passos a serem dados: ir à missa com frequência, fazer o exame de consciência e confessar-se, rezar e ler a Bíblia regularmente. Ter um grupo de amigos ou conhecidos que partilhem dos mesmos valores também pode ser de grande ajuda, seja em uma Paróquia, comunidade ou obra de evangelização.
“Vigiai! Sede firmes na fé! Sede homens! Sede fortes!Tudo o que fazeis, fazei-o na caridade” ( 1Co 16, 13-14).
Homens de Deus que marcaram os tempos
Ao longo da história, houveram vários homens que assumiram seus papéis, buscaram viver uma masculinidade centrada em Deus e, com isso, marcaram os tempos. Foram viris e fortes, mas, ao mesmo tempo, tinham um coração que ardia de amor.
Um conselheiro dos governantes, casado e pai de quatro filhos, que se negou a aprovar a atitude de quem estava no poder, por saber que contrariava a Vontade de Deus. Esse foi São Thomas More, defensor da Verdade, que foi preso e morto em 1535, por não aprovar o 2º casamento do então rei da Inglaterra e a separação da Igreja Católica.
Ou um jovem, conhecido pelo vício do jogo, que queria seguir carreira militar, mas não pôde, devido a um problema de saúde. Esse foi São Camilo de Léllis, que, após um encontro com os franciscanos capuchinhos e um tempo no hospital, se converteu e decidiu doar sua vida ao cuidado dos enfermos. Nos doentes, enxergava Cristo.
Ou, ainda, um homem que lutava contra os desejos da carne e buscava em vários lugares respostas para saciar seu coração, mas só depois de anos as encontrou em Deus. Esse foi Santo Agostinho que, ao alcançar as virtudes e ordená-las, tornou-se um grande Bispo e Doutor da Igreja.
Mais recentemente, tivemos o exemplo de um homem que se tornou seminarista ainda jovem. Devoto da Virgem Maria, dedicou-se a estudar temas como o amor conjugal e as vocações feminina e masculina. Esse foi o Papa São João Paulo II que, com vários escritos, guia até hoje os passos dos cristãos nessa temática.
Homem, Deus conta com você!
Poderíamos seguir com essa lista por muitas páginas, porque esses são só alguns exemplos dos vários homens que foram verdadeiramente de Deus. Seja de forma pública ou oculta, nos lares ou comunidades que lhes foram confiadas, conseguiram superar as próprias limitações e servir como canal para a ação Divina.
Hoje, ser um homem de Deus é um desafio constante e requer nadar contra a maré. Porém, a Igreja conta com você para levar mais almas para perto do Pai. Conta com você para, assim como São José, proteger sua família. E, acima de tudo: para, vivendo uma masculinidade unida à Santíssima Trindade, guiar os seus rumo ao Céu.

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