A Providência Divina: “O Pai cuida dos seus filhos!”

Assim como São José, todos somos chamados a confiar na Providência Divina. Mas, como fazer isso?

Contas a pagar,  atividades que não terminamos, planos que queríamos pôr em prática, situações que não conseguimos prever. Estamos constantemente preocupados, pensando no futuro. É ótimo e prudente nos planejarmos, mas será que, em meio a todos esses pensamentos e vontades, você tem confiado na Providência Divina? Ou está tentando fazer tudo com base apenas nas suas próprias forças?

Quando olhamos para Deus como um Pai carinhoso, que cuida insistentemente de seus filhos, entendemos que sempre temos alguém atento ao que precisamos. Ele não nos deixa faltar nada, especialmente as graças necessárias à nossa salvação. 

Como apontava São Josemaria Escrivá, sacerdote espanhol, ter o coração direcionado para o sentido da filiação Divina é a chave para uma vida serena.

“Um filho de Deus não tem medo da vida nem medo da morte, porque o fundamento da sua vida espiritual é o sentido da filiação divina: Deus é meu Pai – pensa – e é o Autor de todo o bem, é toda a Bondade” (Forja, 987).

“O pai sabe do que precisam seus filhos!”

Quando estamos com uma criança e ela começa a chorar, olhamos imediatamente para os pais. Afinal, o pai conhece o filho e vai saber se aquele choro é de fome, de sono ou de dor, por exemplo. Não só isso: ele também saberá o que fazer para acalentar aquele pequeno. 

A nossa relação com Deus é ainda mais especial, porque, antes mesmo que nós “comecemos a chorar”, Ele já sabe do que precisamos. Essa é a Providência Divina, que não pode ser observada apenas em um grande milagre, mas no dia a dia, com todas as graças que são derramadas cotidianamente sobre nós.

“Por isso, não andeis preocupados, dizendo: Que iremos comer? Ou, que iremos beber? Ou, que iremos vestir? De fato, são os gentios que estão à procura de tudo isso: vosso Pai celeste sabe que tendes necessidade de todas essas coisas. Buscai, em primeiro lugar, seu Reino e sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã” (Mt 6, 31-34).

Claro que, como é típico do amor, a Providência Divina conta com nossa liberdade de escolha. Tanto para que possamos receber todas as bênçãos, como para que sejamos canais da graça de Deus para outras pessoas. 

Assim, somos chamados a partilhar nossos bens com o próximo, seja dedicando tempo para conversar com alguém ou ajudando uma obra de caridade e evangelização. Coisas pequenas também fazem diferença: como um sorriso ou abraço para quem está triste, doações de roupas e alimentos ou auxílio financeiro.

Confiar na Providência Divina

Algumas situações podem mesmo parecer assustadoras, como a possível perda de alguém querido, a incerteza de estar desempregado ou o diagnóstico de uma doença complicada. Porém, o próprio Jesus nos acalma:

“Não se vendem dois pardais por um asse? E, no entanto, nenhum deles cai em terra sem o consentimento do vosso Pai!. Quanto a vós, até mesmo os vossos cabelos foram todos contados. Não tenhais medo, pois valeis mais do que muitos pardais” (Mt 10, 29-31).

Mas, vale lembrar que confiar na Providência não é também ficar apenas esperando, sem agir. Precisamos fazer nossa parte, dando o nosso melhor, ofertando tudo que estiver ao nosso alcance e tendo em mente que nem tudo está sob nosso controle.

É só olhar para as Bodas de Caná, na qual Cristo, providencialmente, transforma a água em vinho, mas, para que isso aconteça, os discípulos precisam encher as talhas (Jo 2,7). Ou, ainda, quando Jesus pega os cinco pães e dois peixes entregues por um menino e os multiplica, para distribuir à multidão que precisava comer (Jo 6, 5-14).

Porém, também devemos compreender que, nem sempre, o que pedimos a Deus é o melhor para nós. Desse modo, nos abandonamos nas mãos d’Ele e entendemos que, por mais que não nos conceda necessariamente o que queremos, sempre nos dará o que precisamos.

São José: exemplo de abandono na Vontade Divina

Podemos tomar São José como exemplo de confiança na Providência. Um homem trabalhador, que tinha sua vida comum e recebeu a graça e a responsabilidade de cuidar do filho de Deus e da Virgem Maria. 

Imagine o desafio de sair com uma mulher grávida, no deserto, para outra cidade e vê-la dando à luz em uma estrebaria. Depois, com uma criança pequena, ter que se mudar para outra região e, mais tarde, passar por uma nova mudança. Tudo isso sabendo que sua família estava sendo ameaçada por homens poderosos. 

Em meio a todas essas situações, não haveria razões humanas para a tranquilidade, mas a fé o sustentava. Logo, ao olharmos para todas essas ocasiões, vemos o quanto o Patrono da Igreja confiava em Deus e fazia tudo conforme a Vontade Divina. Por isso, quando tivermos dificuldade para nos abandonar na Providência, podemos pedir sua intercessão .

Agora, te deixamos um desafio: a partir de hoje, busque sempre observar ao longo dos seus dias os pequenos cuidados de Deus. Pode ser o ônibus que passou na hora certa para que você não se atrasasse, o extra que surgiu no trabalho ou o tempo a mais que poderá passar com a família. Além disso, se coloque à disposição do serviço de Deus, para amar sempre mais.

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