QUARESMA E FRATERNIDADE: O CAMINHO PASCAL

Prezados Oblatos, Irmãos, Padres, formandos e Leigos Josefino-Marellianos.

            Chegamos ao final do mês de fevereiro e iniciamos o Caminho Pascal com a Quaresma. Isso é importante, pois a vida cristã tem os tempos, os lugares, os sentimentos e os significados que vão sendo propostos pela Igreja de modo pedagógico, com a metodologia das celebrações, das experiências e de tudo o que isso produz ao longo dos dias e meses. A Quaresma é o tempo de iniciar o caminho da Páscoa com a certeza que a vida de Cristo é o caminho que devemos seguir, com seus desafios e exigências.

            No Brasil a Campanha da Fraternidade é um sinal de compromisso, desperto pelo tempo da Quaresma. E neste ano o convite de Jesus é direto: “Dai-lhes vós mesmos de comer!” (Mateus 14,16). A realidade da fome é brutal e intensa em nosso pais, o que é também um escândalo, pois notamos um esbanjamento e desperdício de comida absurdos. Partilho com vocês uma pequena experiência (mas forte, pelo menos para mim!).

            É um pouco comum que eu seja convidado para um almoço ou jantar, o que nem sempre posso aceitar, por vários fatores. Ocorre que, em certa ocasião, eu fui gentilmente convidado para um jantar em uma churrascaria, e lá fui. Chegamos cedo, com poucos fregueses presentes, e fomos nos servir. Uma quantia enorme, absurda, abusiva de comida disponível, o que já me fez pensar. Depois, quando o ambiente já estava repleto de pessoas, eu fui pegar umas frutas e notei (não se deve ficar espiando os outros!!!) que havia muita gente com pratos repletos de carnes, muitas carnes, e outras que chegavam, em um vai-e-vem frenético de bebidas, espetos, frituras e outras tantas ofertas. E eu me senti mal, pois vi que aquilo tudo era o cultivo do pecado capital da gula, pois havia muito, muito além da necessidade do alimento e mesmo da arte da culinária, que muito aprecio. Então eu me retraí, percebi que aquele não é o caminho, pois é o abuso na comida por quem tem como pagar, enquanto outros passam verdadeira necessidade de um simples feijão com arroz.

            Mas o pior estava por vir, pois na saída, lá na calçada, um garoto de uns 16 anos, pobre, vendia umas balinhas para os empanturrados que saiam da churrascaria. E eu também sai de lá. E o menino me ofereceu um docinho para que eu comprasse. Pasmem: eu não tinha um real para comprar o doce! Não levei dinheiro. Então, pedi para um amigo que me emprestou. E ele também comprou uns docinhos.

            Partilho esta experiencia que me fez pensar e, confesso, me fez envergonhar da situação. A fome existe porque ainda há egoísmo, expresso no abuso, nos exageros de nosso sistema capitalista neoliberal. Não afirmo que outros sistemas ideológicos tenham solucionado este problema, pois não é assim, bem sei. Mas me questiono muito quando ouço alguém diz que outros devem fazer algo, e Jesus, por sua vez, afirma: “Dai-lhes vós mesmos de comer!”

            O mês de São José está correndo e em breve estaremos já na sua novena. Uma saudação ao Pe. Jayson Endaya, Oblato Provincial das Filipinas que, no dia 02 de março estará conosco no Brasil. Ele virá para a Profissão Perpétua de nossos confrades Frei John e Frei Ericson, dia 12 de março no Santuário Santa Edwiges. Isso tudo muito nos alegra!  

            A todos, Graça e Paz!

Pe. Mauro Negro, OSJ
Provincial

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