O Lar de Maria e José, início da civilização do amor. (Semente de Espiritualidade Josefina. Janeiro de 2020)

1 Acolhida

 2 Oração Inicial

 3 Tema do Mês

 O Lar de Maria e José, início da civilização do amor.

 “José, filho de Davi, não temas receber contigo Maria, tua esposa, pois o que nela foi gerado é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”. (Mateus 1,20-21)

Cada família cristã é chamada ser agente de transformação da Igreja e da sociedade. Mas para que esta transformação seja efetiva é necessário ter como meta a construção de uma sociedade justa e fraterna, a “civilização do amor” que se iniciou, conforme explica o Papa São João Paulo II, no Lar de Nazaré.

Jovens cubanos, ao encarnar no lar de Maria e José, Jesus manifesta e consagra a família como santuário da vida e célula fundamental da sociedade. Santifica-a com o sacramento do matrimónio, constituindo-a como «centro e coração da civilização do amor». A maior parte de vós é chamada a formar uma família. Quantas situações de mal-estar pessoal e social têm a sua origem nas dificuldades, crises e rupturas familiares! Preparai-vos bem para ser no futuro os construtores de lares sadios e tranquilos, onde se viva o clima tonificador da concórdia mediante o diálogo aberto e a compreensão recíproca. O divórcio jamais é uma solução, mas um fracasso que se deve evitar. Por conseguinte, fomentai tudo que favorece a santidade, a unidade e a estabilidade da família, fundamentada sobre o matrimónio indissolúvel e aberta com generosidade ao precioso dom da vida.[1] (São João Paulo II)

Assim como não se deve construir um edifício sem a análise cuidadosa do projeto assim também a construção da “civilização do amor”, tarefa aliás bem mais difícil que construir um prédio, precisa seguir um projeto consistente. A Sagrada Família de Nazaré deve ser o alicerce deste projeto, como destaca o Papa Bento XVI:

Maria e José educaram Jesus, em primeiro lugar, com o seu exemplo: nos seus pais, Ele conheceu toda a beleza da fé, do amor a Deus e à sua Lei, assim como as exigências da justiça, que encontra o seu pleno cumprimento no amor (cf. Rm 13, 10). Deles aprendeu que antes de tudo é necessário realizar a vontade de Deus, e que o laço espiritual vale mais que o vínculo do sangue. A Sagrada Família de Nazaré é verdadeiramente o “protótipo” de cada família cristã que, unida no Sacramento do matrimônio e alimentada pela Palavra e pela Eucaristia, é chamada a realizar a maravilhosa vocação e missão de ser célula viva não apenas da sociedade, mas da Igreja, sinal e instrumento de unidade para todo o gênero humano.[2] (Papa Bento XVI)

O Papa Paulo VI aponta três lições fundamentais a serem aprendidas “na escola de Nazaré”[3]:

Nazaré é a escola em que se começa a compreender a vida de Jesus, é a escola em que se inicia o conhecimento do Evangelho. Aqui se aprende a observar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado tão profundo e misterioso desta manifestação do Filho de Deus, tão simples, tão humilde e tão bela. Talvez se aprenda também, quase sem dar por isso, a imitá-la.

Aqui se aprende o método e o caminho que nos permitirá compreender facilmente quem é Cristo. Aqui se descobre a importância do ambiente que rodeou a sua vida, durante a sua permanência no meio de nós: os lugares, os tempos, os costumes, a linguagem, as práticas religiosas, tudo o que serviu a Jesus para Se revelar ao mundo. Aqui tudo fala, tudo tem sentido. Aqui, nesta escola, se compreende a necessidade de ter uma disciplina espiritual, se queremos seguir os ensinamentos do Evangelho e ser discípulos de Cristo. Quanto desejaríamos voltar a ser crianças e acudir a esta humilde e sublime escola de Nazaré! Quanto desejaríamos começar de novo, junto de Maria, a adquirir a verdadeira ciência da vida e a superior sabedoria das verdades divinas!

Mas estamos aqui apenas de passagem e temos de renunciar ao desejo de continuar nesta casa o estudo, nunca terminado, do conhecimento do Evangelho. No entanto, não partiremos deste lugar sem termos recolhido, quase furtivamente, algumas breves lições de Nazaré.

Em primeiro lugar, uma lição de silêncio. Oh se renascesse em nós o amor do silêncio, esse admirável e indispensável hábito do espírito, tão necessário para nós, que nos vemos assaltados por tanto ruído, tanto estrépito e tantos clamores, na agitada e tumultuosa vida do nosso tempo. Silêncio de Nazaré, ensina-nos o recolhimento, a interioridade, a disposição para escutar as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. Ensina-nos a necessidade e o valor de uma conveniente formação, do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da oração que só Deus vê.

Uma lição de vida familiar. Que Nazaré nos ensine o que é a família, a sua comunhão de amor, a sua austera e simples beleza, o seu caráter sagrado e inviolável; aprendamos de Nazaré como é preciosa e insubstituível a educação familiar e como é fundamental e incomparável a sua função no plano social.

Uma lição de trabalho. Nazaré, a casa do Filho do carpinteiro! Aqui desejaríamos compreender e celebrar a lei, severa mas redentora, do trabalho humano; restabelecer a consciência da sua dignidade, de modo que todos a sentissem; recordar aqui, sob este teto, que o trabalho não pode ser um fim em si mesmo, mas que a sua liberdade e dignidade se fundamentam não só em motivos econômicos, mas também naquelas realidades que o orientam para um fim mais nobre. Daqui, finalmente, queremos saudar os trabalhadores de todo o mundo e mostrar-lhes o seu grande Modelo, o seu Irmão divino, o Profeta de todas as causas justas que lhes dizem respeito, Cristo Nosso Senhor.

 Que os Santos Esposos José e Maria nos acompanhem neste nobre e importante empenho pela construção da civilização do amor a partir da reconstrução das famílias cristãs.

 

4 Reflexão e Partilha

 Partilhar sobre as palavras do Papa Paulo VI: “Que Nazaré nos ensine o que é a família, a sua comunhão de amor, a sua austera e simples beleza, o seu caráter sagrado e inviolável; aprendamos de Nazaré como é preciosa e insubstituível a educação familiar e como é fundamental e incomparável a sua função no plano social.

5 Compromisso do Mês

Celebrar os Santos Esposos José e Maria no dia 23 de janeiro ou outra data definida pela Comunidade e nesta ocasião renovar a intensão de imitar as virtudes da Sagrada Família.

6 Oração Final

[1] Papa São João Paulo II. Viagem Apostólica do Papa a Cuba, 21 a 26 de janeiro 1998. Mensagem do Santo Padre aos Jovens Cubanos, item 5.

[2] Papa Bento XVI. Angelus. Festa da Sagrada Família de Nazaré. Domingo 31 de Dezembro de 2006

[3] Papa Paulo VI. Pronunciamento durante a visita apostólica a Nazaré, em 05 de janeiro de 1964