Com São José, assumir a missão da paternidade educadora. (Semente de Espiritualidade Josefina. Abril/2020)

1 Acolhida

2 Oração Inicial

3 Tema do Mês

Com São José, assumir a missão da paternidade educadora.

E, no entanto, Senhor, vós sois nosso pai; nós somos a argila da qual sois o oleiro: todos nós fomos modelados por vossas mãos”. (Isaias 64,8) 

 

O Papa São João Paulo II já nos alertava, em março de 1983, que muitos pais caíram na tentação de “abdicar à grande missão da paternidade e optam por uma relação “de igual para igual” com os filhos, e as consequências desta decisão: Vejamos:

Grande missão esta, da paternidade, da qual não poucos pais, hoje, são tentados a abdicar, optando por uma relação “de igual para igual” com os filhos, que acaba por os privar daquele amparo psicológico e daquele apoio moral, de que precisam para superar felizmente a fase precária da infância e da primeira adolescência. Alguém disse que hoje estamos a viver a crise de uma “sociedade sem pais”. Adverte-se cada vez mais claramente a necessidade de poder contar com pais que saibam desempenhar a sua missão, unindo a ternura à seriedade, a compreensão ao rigor, a camaradagem ao exercício da autoridade, porque só assim os filhos poderão crescer harmoniosamente, dominando os próprios temores e dispondo-se a enfrentar corajosamente as incógnitas da vida. [1] (Papa São João Paulo II)

Preciosas indicações estas do Papa as características de um verdadeiro processo educativo:

É necessário unir a ternura à seriedade. Os filhos precisam de pais amorosos e ternos, que saibam amá-los e manifestar em ações concretas seu amor e seu carinho. Mas também precisam que estes mesmos pais os eduquem com seriedade, exercendo sempre que preciso a prática do amor caridoso e exigente.

É necessário unir a compreensão ao rigor. Os filhos precisam de pais amorosos e compreensivos, que saibam respeitar as etapas de crescimento e a justa necessidade de liberdade e autonomia nas decisões. Mas também precisam que estes mesmos pais os eduquem com firmeza, exercendo sempre que preciso a prática do amor caridoso e exigente.

É necessário unir a camaradagem ao exercício da autoridade. Os filhos precisam de pais amigos e companheiros, que saibam amá-los e compartilhar com eles os momentos de vitória e de derrotas, ir juntos e chorar juntos, passear e se divertir juntos, como bons e verdadeiros amigos. Mas os filhos também precisam que estes mesmos pais os eduquem com autoridade, exercendo sempre que preciso a prática do amor caridoso e exigente.

É natural, entretanto, que nos questionemos sobre como podemos nos preparar para sermos pais e educadores com estas características.

Sabemos que isso seria muito bom para os nossos filhos e educandos, mas nos questionamos, e com justiça, sobre como se preparar para esta nobre mas exigente missão. Onde poderemos encontrar primeiramente um exemplo de alguém que tenha conseguido exercer sua paternidade e responsabilidade educativa de modo adequado e conforme a necessidade de seus filhos e educandos? E onde podemos encontrar motivação e força para esta missão?

O mesmo Papa São João Paulo II nos ensina que é em Deus que podemos encontrar a energia para fazê-lo e um modelo de paternidade capaz de influir positivamente no processo educativo dos vossos filhos. E nos indica São José como exemplo de quem conseguiu exercer eficazmente sua paternidade e missão educadora e que tem, portanto, muito a nos ensinar. Vejamos:

Mas onde podereis haurir, caríssimos pais, a energia necessária para assumir nas várias circunstâncias a atitude justa que os vossos filhos, embora sem o saberem, esperam de vós? A resposta é-vos oferecida por São José: é em Deus, ‘fonte de toda a paternidade, é no seu modo de agir com os homens, como nos é revelado pela Sagrada Escritura, que vós podeis encontrar o modelo de uma paternidade capaz de influir positivamente no processo educativo dos vossos filhos, não sufocando-lhes, por um lado, a espontaneidade, nem abandonando, por outro, a sua personalidade ainda imatura às experiências traumatizantes da insegurança e da solidão.[2] (Papa São João Paulo II)

Deus é, portanto, a ‘fonte de toda a paternidade” e modelo perfeitíssimo de paternidade. E é nas Sagradas Escrituras, a Bíblia, que encontramos a manifestação de como Deus exerce a verdadeira paternidade. E é em São José que devemos procurar o exemplo e a força, como companheiro de caminhada, para exercermos com dignidade e eficácia nossa missão paterna e educadora. Como nos ensinou o Papa Francisco, São José é o nosso modelo de pai educador:

Hoje, 19 de março (2014), celebramos a festa solene de São José, Esposo de Maria e Padroeiro da Igreja universal.., e gostaria de retomar o tema da proteção, a partir de uma perspectiva particular: a perspectiva da educação. Olhemos para José como o modelo do educador, que protege e acompanha Jesus no seu caminho de crescimento, «em sabedoria, idade e graça», como reza o Evangelho de Lucas (2, 52). Ele era o pai de Jesus: o pai de Jesus era Deus, mas ele desempenhava o papel de pai de Jesus, era pai de Jesus para fazê-lo crescer. E como o fez crescer? Em sabedoria, idade e graça. E podemos procurar utilizar precisamente estas três palavras — sabedoria, idade e graça — como uma base para a nossa reflexão. [3]

O Papa São João Paulo II usa a expressão “sob o olhar de São José”[4] para resumir o modo atento e participativo como São José exerceu sua missão paterna e educadora perante Jesus. Sob o olhar de São José podemos também nós exercer esta missão. E o primeiro passo é a firme decisão de fazê-lo e de se preparar para isso.

4 Reflexão e Partilha

Partilhar sobre os ensinamentos recebidos nesta Semente de Espiritualidade Josefina.

5 Compromisso do Mês

 Exercitar-se na prática de unir a ternura à seriedade, a compreensão ao rigor e a camaradagem ao exercício da autoridade contanto com a companhia de São José.

6 Oração Final

[1] São Joao Paulo II. Homilia da Solenidade de São José. Termoli, 19/03/1983

[2] São Joao Paulo II. Homilia da Solenidade de São José. Termoli, 19/03/1983

[3] Papa Francisco. Audiência Geral. 19 de março de 2014.

[4] “O crescimento de Jesus “em sabedoria, em estatura e em graça” (Lc 2,52), deu-se no âmbito da Sagrada Família, sob o olhar de São José, que tinha a alta função de o “criar”; ou seja, de alimentar, vestir e instruir Jesus na Lei e num ofício, em conformidade com os deveres estabelecidos para o pai. Papa João Paulo II. Redemptoris Custos.

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