José de Nazaré, o ilustre descendente de Davi. (Semente de Espiritualidade Josefina. Junho/2020)

1 Acolhida

2 Oração Inicial

3 Tema do Mês

José de Nazaré, o ilustre descendente de Davi.

“Encontramos aquele de quem Moisés e os Profetas escreveram na Lei: Jesus, filho de José de Nazaré”. (João 1, 45)

 O Padre Tarcisio Stramare, Oblato de São José, nos ensina que o termo “Filho de José” pode ser considerado como que uma cédula de identidade de Jesus.[1] Também nos ensina que o termo “Filho de Davi”, adequadamente aplicado a Jesus, “passa para Jesus por intermédio de José, “filho de Davi”.  Vejamos:

A qualificação de “esposo de Maria” é legalmente necessária e suficiente para que José, “filho de Davi”, possa introduzir Jesus na genealogia davídica com a mesma qualificação de José[2]. Cada vez que Jesus é aclamado pelo povo como “filho de Davi” implicitamente se declara também sua filiação de José, o esposo de sua mãe Maria. Tal reconhecimento é indispensável para que ele seja declarado “Messias”. A descendência davídica, necessária para esse reconhecimento, passa para Jesus por intermédio de José, “filho de Davi”.  

Também São Bernardo destaca que José é verdadeiramente descendente de Davi. E nos ensina também que, mais que ser apenas descendente de Davi pela carne, isto é pela genealogia, José de Nazaré, pela sua fé e santidade, merece ser tratado por Deus como alguém de sua inteira confiança e alguém a quem Deus pudesse contar para lhe manifestar importantes segredos e importantes responsabilidades, incluindo a missão de acolher, proteger e educar o Messias. Vejamos:

Sim, este homem, este José, é verdadeiramente da casa de Davi, verdadeiro descendente de sua estirpe real, de sangue nobre, mais nobre ainda de espírito. De Davi perfeito filho que não degenerou de seu pai. Filho de Davi não somente pela carne, mas pela fé, pela santidade, pela dedicação. Como outro Davi, Deus o reconheceu, conforme seu coração, e a ele confiou o mais misterioso eu mais sagrado segredo de seu coração. Como a um segundo Davi, Deus lhe revelou as realidades ocultas e secretas de sua sabedoria é concedeu-lhe a graça de conhecer o mistério desconhecido de todos os príncipes deste mundo. Por fim, aquilo que numerosos reis e profetas desejaram ver e não viram, aquilo que eles desejaram ouvir e não ouviram foi concedido a ele, a José: não somente vê-lo é ouvi-lo, mas de carregá-lo, guiar seus passos, escuta-lo, beijá-lo, nutri-lo e assisti-lo”[3]. (São Bernardo)

Também o Papa São João Paulo II destaca que José de Nazaré “foi chamado por Deus para servir diretamente a Pessoa e a missão de Jesus, mediante o exercício da sua paternidade” e que exerceu essa missão em espírito de total dedicação e com um amor incondicional. Vejamos:

São José foi chamado por Deus para servir diretamente a Pessoa e a missão de Jesus, mediante o exercício da sua paternidade: desse modo, precisamente, ele “coopera no grande mistério da Redenção, quando chega a plenitude dos tempos”, e é verdadeiramente “ministro da salvação”. A sua paternidade expressou-se concretamente “em ter feito da sua vida um serviço, um sacrifício, ao mistério da Encarnação e à missão redentora com o mesmo inseparavelmente ligada; em ter usado da autoridade legal, que lhe competia em relação à Sagrada Família, para lhe fazer o dom total de si mesmo, da sua vida e do seu trabalho; e em ter convertido a sua vocação humana para o amor familiar na sobre-humana oblação de si, do seu coração e de todas as capacidades, no amor que empregou ao serviço do Messias germinado na sua casa”.[4] (São João Paulo II)

A missão paterna de José para com Jesus não foi nada fácil, mas ele a desempenhou de modo admirável. Dedicaremos algumas das próximas edições das Sementes de Espiritualidade Josefina a conhecer as condições em que José e Maria de Nazaré viveram e em como, apesar de todas as adversidades encontradas, conseguiram fazer do Lar de Nazaré um local acolhedor e propício para o crescimento e a educação de Jesus, como resumimos a seguir:

Sua missão foi muito exigente, não se limitando apenas a uma assistência puramente externa providenciando ao menino e à sua mãe o que era necessário e defendendo-os dos perigos. José foi para Jesus pai no verdadeiro sentido da palavra. Seu amor por Jesus foi genuíno e autenticamente paterno. O Papa Pio IX soube expressar muito bem este rico quadro da vida de José quando disse que ele teve para com Jesus, por um especial dom celeste, todo o amor natural, toda a solicitude afetuosa que um coração de pai pode conhecer.

Podemos assim afirmar que José foi na terra o único homem que teve a grandíssima honra de compartilhar com o próprio Deus Pai a idêntica invocação filial de Jesus. Essa honra e ao mesmo tempo grande responsabilidade lhe foi comunicada por vontade expressa de Deus – “… você o chamará com o nome de Jesus…” (Mt 1,21) – conferindo-lhe dessa forma a dignidade de sua paternidade.

A vocação de José, e o consequente desenvolvimento de sua especial e importantíssima paternidade, conferiu-lhe um amor sem reservas nem reticências, um amor expresso em serviço, sacrifício e generosidade. Ele não só viu e ouviu o Filho de Deus, mas carregou-o no colo, guiou-o nos primeiros passos, abraçou-o, beijou-o, nutriu-o. Jesus, como Deus, não tinha nada para aprender, mas como homem, tinha tudo para ser ensinado e José foi seu primeiro mestre e educador. Sua tarefa foi de educar o Messias para o trabalho e para as experiências da vida.[5]  (Estudos Josefinos. Considerações sobre São José)

4 Reflexão e Partilha

Partilhar sobre o ensinamento de São Bernardo:

A São José, “como outro Davi, Deus o reconheceu, conforme seu coração, e a ele confiou o mais misterioso eu mais sagrado segredo de seu coração.

Como a um segundo Davi, Deus lhe revelou as realidades ocultas e secretas de sua sabedoria é concedeu-lhe a graça de conhecer o mistério desconhecido de todos os príncipes deste mundo.

Por fim, aquilo que numerosos reis e profetas desejaram ver e não viram, aquilo que eles desejaram ouvir e não ouviram foi concedido a ele, a José: não somente vê-lo é ouvi-lo, mas de carregá-lo, guiar seus passos, escuta-lo, beijá-lo, nutri-lo e assisti-lo”

5 Compromisso do Mês

Exercitar-se na prática confiar em São José, aquele em quem Jesus confiou plenamente, e partilhar com ele nossas necessidades, alegrias e dificuldades de cada dia.

6 Oração Final

Referências:

[1] “O evangelista João conta-nos que, quando o Apóstolo Felipe encontrou Natanael, disse-lhe: “Encontramos aquele de quem Moisés e os Profetas escreveram na Lei: Jesus, filho de José de Nazaré” (Jo 1, 45). “Filho de José” corresponde à cédula de identidade de Jesus…”. Padre Tarcísio Stramare, OSJ, no livro Com São José, na estrada de Jesus, 3º. Dia

[2] Ou seja, como descendente de Davi.

[3] São Bernardo. Citado por Padre Tarcísio Stramare, OSJ, no livro Com São José, na estrada de Jesus, 3º. Dia.

[4] Papa São João Paulo II. Exortação Apostólica Redemptoris Custos. Item 8.

[5] Estudos Josefinos. Edição 06. Considerações sobre São José.

Versão impressa desta Semente de Espiritualidade Josefina (clique no link abaixo para abril o arquivo em formato pdf)