José de Nazaré, o Justo: esposo e pai. (Semente de Espiritualidade Josefina. Julho/2020)

1 Acolhida

2 Oração Inicial

3 Tema do Mês

José de Nazaré, o Justo: esposo e pai.

“Correspondendo ao desígnio claro de Deus, Maria, com o passar dos dias e das semanas, manifesta-se, diante das pessoas que contactava e diante de José, como estando “grávida”, como mulher que deve dar à luz e que traz em si o mistério da maternidade. Nestas circunstâncias “José, seu esposo, sendo justo e não querendo difamá-la, resolveu abandoná-la em segredo” (Mt 1,19) [1]

O Papa João Paulo II nos ensina que São José jamais duvidou da santidade de Maria, mas que “ele não sabia como comportar-se perante a “surpreendente” maternidade de Maria. Buscava, certamente, uma resposta para essa interrogação inquietante; mas procurava, sobretudo, uma maneira honrosa de sair daquela situação difícil para ele. Enquanto “pensava nisto, apareceu-lhe, em sonho, o anjo do Senhor, que lhe disse: ‘José, filho de Davi, não temas receber contigo Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados’” (Mt 1, 20-21)

O Padre Tarcisio Stramare, OSJ, nos ensina que São José resolveu separar-se de Maria por causa de sua justiça, ou seja, de seu pleno “respeito pela vontade de Deus”. Vejamos:

Perante o mistério de Deus presente em sua casa é fácil compreender que José se encontrasse em uma situação absolutamente nova, sem precedentes. Sua grande sensibilidade religiosa e seu profundo respeito pela majestade de Deus colocam-no em frente a graves pensamentos compartilhados – e por que não? – com sua esposa…. Como manter ainda para si, Maria, sempre sua legítima esposa, mas envolvida agora com a santidade de Deus e, por consequência arrebatada do homem para pertencer exclusivamente a Deus?… José, homem justo, ou seja, cheio de respeito pela ação divina resolve separar-se em segredo…  Portanto, José respeita a santidade da presença divina e permite a Maria ficar totalmente disponível para o projeto de Deus a respeito dela. Os direitos de Deus têm primazia absoluta”.[2] Tarcisio Stramare, OSJ.

O título de justo pode ter significados diversos, mas como nos ensina o Padre Mauro Negro, OSJ, “para José o título de Justo significa atento à vontade de Deus que se manifesta na vida e na história das pessoas. Em especial: alguém que reconhece a ação de Deus e age de acordo com sua vontade” [3]. Vejamos:

No dia 19 de março a Igreja comemora São José. O título da celebração litúrgica é “São José, Esposo de Maria e protetor da Igreja Universal”. É um título interessante e bonito para uma figura e missão de notável importância. O título de José, “Protetor da Igreja Universal” foi dado pelo Papa Pio IX em 1870, durante o Concílio Vaticano I, em Roma. São José foi o responsável pelo bem estar de Maria, Mãe de Jesus e do próprio Jesus.

Um título, em especial, é de notável importância para José e o define de modo íntimo e grandioso. Trata-se do título “justo”, que se encontra em Mateus 1,19: José, seu esposo (esposo de Maria), sendo justo… O texto de Mateus é interessante e questionador: o que poderia ser “justo” na época do Evangelho? Certamente não se trata de simplesmente honesto, cumpridor de leis e realizador de atitudes coerentes. Isto pode ser, sim, uma definição de “justo”. Mas para José é algo mais. Justo significa atento à vontade de Deus que se manifesta na vida e na história das pessoas. Em especial: alguém que reconhece a ação de Deus e age de acordo com Sua vontade.[4] (Mauro Negro, Oblato de São José).

Ao referir-se a São José o título de Justo tem também outros significados muito importantes, como nos ensina o Padre Mauro Negro[5], OSJ: a “Justiça de José é uma qualidade de seu caráter, de sua identidade”; o modelo de um estilo de vida que nos habilita “para a entrada no Reino dos Céus”; uma “pessoa que coloca os preceitos de Deus antes de suas próprias vontades; uma “pessoa que anda conforme a Lei do Senhor, de modo intenso”. Vejamos:

José e Maria estão no Mistério da Encarnação. É assim que é chamada a entrada de Deus na história, de modo humano. Jesus, o Filho do Pai Eterno, a Segunda Pessoa da Trindade, se torna humano e assim estabelece uma nova relação entre Deus e a Humanidade. Ele passa a ser a “ponte” que une estas partes, rompe a distância entre Criador e criatura, inicia um modo diferente de sentir e viver na presença de Deus. Isto tudo e, tenham certeza, muito mais, compõe o que a teologia chama de Encarnação.

Ora, José e Maria estão juntos no acontecimento. Nunca Maria sozinha, sempre acompanhada de seu Esposo, José, que Mateus chama de “Justo” (Mateus 1,19). Esta qualidade de José, isto é, ser “justo”, é de se pensar e considerar com atenção. Em primeiro lugar, a justiça não é simplesmente uma ação pontual: José não é justo naquele momento, e basta! A Justiça de José é uma qualidade de seu caráter, de sua identidade. Pode-se dizer que esta qualidade o identifica e, curiosamente, será também um assunto sério que Jesus proporá na sua pregação. Ele diz, também em Mateus 5,20: …eu vos asseguro que, se a vossa justiça não ultrapassar a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus!” A identidade de José, que é a de Justo, é o modelo para a entrada no Reino dos Céus.

Justo é a pessoa que coloca os preceitos de Deus antes de suas próprias vontades. Hoje, mais do que ontem, a vontade individual das pessoas é muito valorizada. José, ao contrário, coloca o projeto de Deus a seu respeito antes de seus planos, por melhores que fossem. Lemos em Mateus 1,24: José, ao despertar do sono, agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara… Então, José é Justo! 

4 Reflexão e Partilha

Partilhar sobre as palavras do Padre Mauro: “Justo é a pessoa que coloca os preceitos de Deus antes de suas próprias vontades. Hoje, mais do que ontem, a vontade individual das pessoas é muito valorizada. José, ao contrário, coloca o projeto de Deus a seu respeito antes de seus planos, por melhores que fossem.

5 Compromisso do Mês

Exercitar-se na prática de invocar os Santos Esposos José e Maria antes de tomar decisões e pedir-lhes que nos orientem para que sejam decisões justas e sábias.

6 Oração Final

Notas de rodapé.

[1] Papa São João Paulo II. Exortação Apostólica Redemptoris Custos. Itens 2 e 3.

[2] Tracísico Stramare. Com São José, na estrada de Jesus. 12º. Dia: A Justiça de São José.

[3] Mauro Negro, OSJ. Academia Marial de Aparecida. Artigo: José, o Justo: esposo e pai. Março de 2015

[4] Mauro Negro, Oblato de São José, Presbítero. Idem.

[5]  Mauro Negro, OSJ. Academia Marial de Aparecida. Artigo: Então, José é o juto. Março de 2016.