O serviço de Deus, na imitação de São José. (Semente de Espiritualidade Josefina. Fevereiro 2020)

1 Acolhida

2 Oração Inicial

3 Tema do Mês

O serviço de Deus, na imitação de São José.

“São José Marello não escreveu um tratado sobre São José, mas viveu e ensinou uma verdadeira espiritualidade josefina nas cartas e nos escritos de cunho homilético e de direção espiritual. Podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que a plataforma da espiritualidade marelliana é com certeza a figura de São José. São José era o modelo na sequela de Cristo, para o qual tudo devia convergir. As virtudes de São José se tornavam, no seu ensinamento, o modo concreto de percorrer o caminho para Cristo. Ele resumia isso num programa claro: “O serviço de Deus na imitação de São José”.[1] (Padre Mário Guinzoni)

Concluímos a edição anterior da Semente de Espiritualidade Josefina pedindo: que os Santos Esposos José e Maria nos acompanhem neste nobre e importante empenho pela construção da civilização do amor a partir da reconstrução das famílias cristãs.

Continuando aquela reflexão, veremos que este nosso “serviço a Deus” será tanto mais eficaz quanto mais o fizermos imitando as virtudes de São José, como nos ensinou São José Marello. O Papa São João Paulo II, por sua vez, nos mostra que Deus quis dar início à obra da salvação numa família – a Sagrada Família de Nazaré – e quer levar a termo esta obra através da família. Famílias que se empenham em viver as virtudes da Sagrada Família de Nazaré e aprender a caminhar em sua companhia, são capazes de mundo a mundo e deixá-lo mais conforme a vontade de Deus, nos ensina o Papa. Vejamos:

No momento culminante da história da salvação, quando Deus manifestou o seu amor pela humanidade, mediante o dom do Verbo, deu-se exatamente o matrimônio de Maria e José, em que se realizou com plena “liberdade” o “Dom esponsal de si” acolhendo e exprimindo um tal amor .“Nesta grandiosa empresa da renovação de todas as coisas em Cristo, o matrimônio, também ele renovado e purificado, torna-se uma realidade nova, um sacramento da Nova Aliança. E eis que no limiar do Novo Testamento, como já sucedera no princípio do Antigo, há um casal. Mas, enquanto o casal formado por Adão e Eva tinha sido a fonte do mal que inundou o mundo, o casal formado por José e Maria constitui o vértice, do qual se expande por toda a terra a santidade. O Salvador deu início à obra da salvação com esta união virginal e santa, na qual se manifesta a sua vontade onipotente de purificar e santificar a família, que é santuário do amor humano e berço da vida”[2]. (São João Paulo II) 

O Papa São João Paulo II confiava tanto em São José que afirmou claramente que, “seguindo o seu exemplo, quem se oferece a Deus, sustentado pelo poder do Espírito Santo, está em condições de transformar o mundo, de forma que ele se torne uma morada cada vez mais digna de Cristo”[3]. Ouçamos:

A Igreja tem sempre necessidade da intercessão de S. José. A sua proteção é uma eficaz defesa contra os perigos que se apresentam e, mais ainda, um grande apoio para assumir as próprias tarefas da nova evangelização. Hoje, no período da preparação direta para o Grande Jubileu do Ano 2000, quando a tarefa da evangelização adquire uma particular atualidade, exorto todos a confiar com perseverança esta obra à intercessão de São José.

A incessante oração e o olhar fixo no modelo altíssimo de santidade do pobre carpinteiro de Nazaré, chamado pelo Evangelho homem justo (cf. Mt 1, 19), pode ser para nós fonte de profunda espiritualidade. «O sacrifício total, que José fez da sua existência inteira, às exigências da vinda do Messias à sua própria casa, encontra a motivação adequada na “sua insondável vida interior, da qual lhe provêm ordens e consolações singularíssimas; dela lhe decorrem também a lógica e a força, própria das almas simples e límpidas, das grandes decisões, como foi a de colocar imediatamente à disposição dos desígnios divinos a própria liberdade, a sua legítima vocação humana e a felicidade conjugal, aceitando a condição, a responsabilidade e o peso da família e renunciando, por um incomparável amor virginal, ao natural amor conjugal que constitui e alimenta a mesma família”. Esta submissão a Deus, que é prontidão de vontade para se dedicar às coisas que dizem respeito ao seu serviço, não é mais do que o exercício da devoção, que constitui uma das expressões da virtude da religião » (Redemptoris Custos, 26).

No mundo de hoje, cheio de contradições e de tensões, o crente encontra-se todos os dias perante a necessidade de fazer opções. Então interroga a sua consciência acerca do que é justo, a favor do que se deve pronunciar e a que se deve opor. É a pergunta referente àquele desígnio divino que pode ser perscrutado apenas em quem é dotado de uma profunda vida interior. E são necessárias, depois, não pouca ponderação e força, um grande amor a Deus e ao homem, a fim de assumir o peso da responsabilidade, que brota da resposta a essa pergunta. É necessária também a disponibilidade da vontade de se dedicar ao serviço de Deus. São José ensina-nos tudo isto. Seguindo o seu exemplo, quem se oferece a Deus, sustentado pelo poder do Espírito Santo, está em condições de transformar o mundo, de forma que ele se torne uma morada cada vez mais digna de Cristo. No limiar do Terceiro Milénio, é necessário este testemunho de dedicação. Dele precisa o homem, com frequência desorientado entre falsas promessas de uma felicidade fácil. É necessária esta dedicação na vida familiar, social, política e cultural, para que todos os homens possam reencontrar no Filho de Deus a fonte da verdadeira esperança. Oxalá São José, que venerais no Santuário de Kalisz, seja para cada um de vós mestre e guia espiritual. Obtenha para todos a graça desta disponibilidade a cumprir a vontade de Deus, que foi a razão da sua particular eleição.[4] (São João Paulo II).

4 Reflexão e Partilha

Partilhar sobre as palavras do Papa São João Paulo II: “São José (tem muito a nos ensinar). Seguindo o seu exemplo, quem se oferece a Deus, sustentado pelo poder do Espírito Santo, está em condições de transformar o mundo, de forma que ele se torne uma morada cada vez mais digna de Cristo. No limiar do Terceiro Milénio, é necessário este testemunho de dedicação. Dele precisa o homem, com frequência desorientado entre falsas promessas de uma felicidade fácil. É necessária esta dedicação na vida familiar, social, política e cultural, para que todos os homens possam reencontrar no Filho de Deus a fonte da verdadeira esperança. Oxalá São José seja para cada um de vós mestre e guia espiritual. Obtenha para todos a graça desta disponibilidade a cumprir a vontade de Deus, que foi a razão da sua particular eleição”.

5 Compromisso do Mês

Exercitar-se em fazer a vontade de Deus no dia a dia. Conversar em sua comunidade sobre como preparar-se bem para o mês de março, o Mês de São José.

6 Oração Final

[1] Mário Guinzoni, Presbítero, Oblato de São José. Pegadas Marellianas. Capítulo II. São José.

[2] São João Paulo II. Redemptoris Custos. Item 7.

[3] São João Paulo II. Discurso aos peregrinos da Diocese de Kalisz (Polônia). 06/11/1997

[4] São João Paulo II. Discurso aos peregrinos da Diocese de Kalisz (Polônia). 06/11/1997