José aproximou o trabalho humano ao mistério da redenção

O trabalho humano e, em particular, o trabalho manual, encontram no evangelho um destaque especial. Juntamente com a humanidade do Filho de Deus, o trabalho foi acolhido no mistério da encarnação, e também foi de modo particular redimido. “Graças à mesa de trabalho junto a qual exercia a sua profissão juntamente com Jesus”. Na verdade, “José aproximou o trabalho humano ao mistério da redenção”.

Os evangelhos salientam expressamente o fato que aquele, o qual sendo Deus tornando-se semelhante a nós em tudo, dedicou a maior parte dos anos de sua vida sobre a terra ao trabalho manual, junto a uma mesa de carpintaria “.

Uma teologia que se limitasse  desconsiderar este aspecto da vida de Jesus, seria superficial. Através da encarnação, Jesus não se serviu da realidade terrena somente com o objetivo de manifestar-se, mas se uniu a esta para santificá-la com a sua humanidade. Devido ao fato de que o trabalho constitui uma fundamental dimensão da existência humana sobre a terra, conclui-se que Jesus escolheu não por acaso esta dimensão, ou seja, o trabalho, para santificar o seu estado social.

O plano da encarnação se encontra neste ponto com José, o qual foi querido por Deus para apresentar ao mundo o seu próprio filho feito homem. Além do título davídico indispensável para o reconhecimento do Messias, Jesus recebe de José, como qualquer outro filho recebia de seu pai, também aquela dimensão concreta que o caracteriza, ou seja: ”o estado civil, a categoria social, a condição econômica, a experiência profissional, o ambiente familiar, e a educação humana “, como muito bem afirmou o papa Paulo VI.

Sendo considerado sensivelmente filho de José, Jesus pôde herdar o título real de “filho de Davi”, mas também assumiu aquele título profissional, ou seja, a qualificação de “filho de carpinteiro” (13,55). Jesus não se envergonhou de revestir a sua excelsa dignidade com a humilde condição de operário.  Embora Jesus pudesse exigir títulos mais elevados, escolheu, ao invés o título mais comum para si, aquele mais com dividido com a condição humana, ou seja, aquele de operário.

A Constituição dogmática Gaudium et spes afirma que o Onipotente artífice do universo verdadeiramente “trabalhou com mãos de homem”, santificando diretamente o trabalho humano. José foi perante a Providência divina o necessário instrumento de tal redenção, dada justamente na sua própria carpintaria, através de uma missão que ele não somente a exercitou ao lado de Jesus, mas inclusive acima de Jesus, o qual lhe era submisso (Lc 2,51).

Esta submissão, ou seja, a obediência de Jesus na casa de Nazaré, é entendida também como participação ao trabalho de José. Aquele que era chamado “filho do carpinteiro” tinha aprendido o trabalho do seu pai putativo. Se a família de Nazaré é na ordem da salvação e da santidade e, o exemplo e o modelo para as famílias, é analogamente também o trabalho de Jesus ao lado de José carpinteiro.

Colocando o exemplo de São José aos trabalhadores, o papa Pio XII  salientava justamente que ele foi o santo em cuja vida tinha penetrado profundamente o espírito do evangelho. Se este espírito de fato provém do coração do Homem-Deus em todos homens, “é certo que nenhum trabalhador foi tão perfeitamente e profundamente penetrado quanto o pai putativo de Jesus, que viveu com ele na mais estreita intimidade e comunhão de família e de trabalho”. Daqui veio o convite do mesmo papa: “se quereis estar perto de Cristo, “Ite ad Joseph”, “Ide a José”!  Este humilde carpinteiro de Nazaré, pobre de meios, mas certamente rico das mais autênticas virtudes, foi escolhido entre todos, inclusive entre os mais sábios, para educar o próprio filho Deus.

Na família de Nazaré, onde o trabalho não era considerado simplesmente como meio de ganho ou fonte de riqueza, mas como “expressão cotidiana de amor“, Jesus crescia na escola de José, educado para a laboriosidade, virtude que favorece o crescimento humano, fazendo o homem tornar-se “em certo sentido mais homem “.

Questão para o aprofundamento pessoal

  1. Faça uma consideração sobre o valor do trabalho, o qual foi santificado por Jesus ao se tornar um carpinteiro como José.

Autor: Padre José Antônio Bertolin, OSJ