Quando penso no Natal, imediatamente vêm à minha memória aquelas recordações de infância. Afinal, o Natal era o dia mais esperado do ano. Por quê? Era praticamente o único dia que tínhamos para tomar Tubaína ou Guaraná, comer macarronada, maionese e carne assada.
Era o dia de reunião familiar na casa da avó. Sendo assim, ninguém faltava! Até mesmo os compadres e comadres dos meus avós vinham de longe para se fazer presente neste dia.
Logo, por gostar muito de música, eu amava as novenas de Natal, pelas canções que eram cantadas nesta época: “Talvez pela primeira vez”, “É preciso parar, é preciso pensar que Cristo veio para nos salvar”, “Bate o sino”, “Noite feliz” e tantas outras. Além disso, não posso me esquecer do famoso chá ou ki-suco servido após as novenas.
Atualmente, os tempos são outros, muita coisa mudou. Ainda assim, perdido em minhas lembranças, ainda fico a pensar no sentido que nós, crianças naquela época, dávamos àquele acontecimento.
Qual o significado do Natal para os dias de hoje?
É claro que o fato é o mesmo e não muda nunca, e nem mesmo uma pandemia que assusta e desestabiliza a todos vai mudar essa realidade. O Natal é a comemoração da encarnação de Deus na história dos homens! Em outras palavras, o nascimento de Jesus Cristo.
Contudo, se nosso mundo, tão influenciado pelo consumo, deu outra direção ao Natal, desviando-se de sua verdadeira natureza, isso é outro papo.
Nós, Oblatos e Oblatas de São José, sacerdotes, consagradas(os) e leigos temos como modelo de vida a pessoa de São José, que juntamente com Maria testemunhou a primeira festa de Natal.
Essa festa, embora tenha sido um acontecimento glorioso, se deu de forma simples, segundo narram os Evangelhos e conforme, de forma artística, representamos hoje por meio de nossos presépios. Logo, tão simples como eram os meus natais na infância, mas de uma alegria imensa!
São José Marello, nosso fundador, em suas festas de Natal era motivado por esta mesma inspiração. Reviver a encarnação e deixar Jesus se encarnar em sua vida como fez o justo e fiel José de Nazaré.
Como sacerdote, bispo, fundador de um Instituto Religioso, sua preocupação centrava-se em fazer renascer na Igreja, a Jesus – o Deus-menino, presente e atuante. Ele assimilou muito bem que deixar Jesus nascer é fazer a vontade do Pai acima de tudo.
O Natal de São José Marello
Certa vez, quando bispo, por ocasião do Natal em 1889, assim escreveu o nosso Santo dirigindo-se aos Oblatos que estavam longe: “Alguém de vocês me fez lembrar que nos anos passados eu lhes dava presentes.
Oh, quanto prazer eu teria se pudesse levar-lhes também este ano, se vocês não estivessem tão longe!
De qualquer maneira vocês esperam algo de mim e precisará que eu me empenhe em mandar-lhes nem que seja um pequeno bombom. Junto com o doce que lhes dá um minuto de prazer na boca, deveria dar-lhes, conforme o costume, também um presente de maior duração…
Mas como fazer? Eis que Jesus vem me ajudar. Ele se encarrega de ir, em meu nome, entre vocês, de mostrar-lhes seu bonito rosto divino, de dar-lhes um celeste sorriso, de apresentar-lhes seu lírio cândido, de levantar a sua mãozinha a fim de que todos possam receber suas bênçãos!
Oh, Jesus, dai a cada um daqueles queridos filhos tudo o que desejam e mais ainda, dai tudo o que Vós deseja!
Desde o primeiro dia do ano novo, recomeçai com eles os vossos colóquios divinos que os aproximem sempre mais do vosso coração. Acariciai-vos como vossos amiguinhos que já aprenderam a conhecer a doçura do vosso amor. Fazei com que se tornem vossos grandes amigos”.
O maior presente é Jesus
Portanto, o maior presente para o Natal e para o ano novo é Jesus, que dos seus pequenos amigos faz grandes amigos!
Mas aqui devemos dizer que, embora pobre, um Superior, um Bispo que fala e age assim, com a ternura de uma mãe, a ternura do próprio Cristo, não conquista só os corações, mas conquista o mundo. Não foi à toa que Jesus deu aos seus Apóstolos (e aos bispos que são seus sucessores) e a todos os cristãos o Mandamento Novo do Amor, como sinal de pertença a Ele: “Se vos amardes uns aos outros, todos conhecerão que sois meus discípulos” (cf. Jo 13,35).
Que o Natal seja para todos os Oblatos e Oblatas, para todos os homens e mulheres de Boa Vontade, esta oportunidade singular de se encontrar com Jesus.
Este encontro pode acontecer na Eucaristia, nas orações, no silêncio de nossos corações, mas, sobretudo na acolhida do próximo. Bem naqueles que Jesus se esconde para nos comunicar, assim como descobriu São José Marello. Uma vez tendo encontrado Jesus nunca mais O quis deixar de seguir e servir.
“Desejemos uns aos outros votos de Boas Festas, mas deixemos que Jesus os realize do modo e na medida mais convenientes para a Sua glória e o nosso proveito espiritual.
Peçamos que se realize o voto que contém todos os demais: Nosso Salvador, salvai-nos!” (carta de S. J. Marello n° 244)
Padre Marcelo Ocanha
